Brasília se firma como destino de grandes competições às vésperas da Copa do Mundo Feminina

Capital se prepara para eventos internacionais e amplia calendário esportivo

Brasília deixou de ser apenas o centro das decisões políticas do país para se firmar, também, como palco estratégico do esporte de alto nível. O movimento ganhou forma nos últimos anos e hoje se traduz em calendários cheios, arenas ocupadas e na chegada de competições que antes não passavam pelo radar da capital.

O sinal mais evidente dessa mudança está no tipo de evento que a cidade passou a atrair. Em 2026, Brasília receberá o Campeonato Mundial de Marcha Atlética por Equipes,  organizado pela World Athletics  que, pela primeira vez, será realizado no Hemisfério Sul. A Esplanada dos Ministérios deve concentrar delegações de mais de 40 países, incluindo o medalhista olímpico Caio Bonfim.

A presença de uma competição desse porte não surge por acaso. Desde 2019, espaços esportivos e áreas públicas do Distrito Federal passaram a integrar com maior frequência o circuito de disputas nacionais e internacionais. O Lago Paranoá, o Mané Garrincha e arenas regionais vêm sendo utilizados em uma sequência crescente de eventos que reúne atletas e público em larga escala.

Somente no último ano, mais de 80 competições tiveram apoio institucional da Secretaria de Esporte e Lazer. O calendário incluiu etapas de circuitos internacionais, campeonatos nacionais e provas urbanas que movimentaram milhares de pessoas.

A Corrida de Reis, realizada no início deste ano, ilustra essa nova dimensão. A edição mais recente reuniu cerca de 30 mil participantes entre corredores e espectadores, tornando-se a maior da história. Poucas semanas depois, mais de 71 mil torcedores acompanharam no Mané Garrincha a final da Supercopa do Brasil entre Flamengo e Corinthians, em uma operação sem registros relevantes de segurança.

Para o subsecretário de Esporte, Lazer e Espaços Esportivos, Nivaldo Félix, o conjunto dessas experiências reposiciona a capital. Segundo ele, Brasília passou a ocupar um espaço consolidado no mapa das grandes competições e ampliou o acesso da população a eventos que antes estavam restritos a outros centros.

O calendário deve continuar avançando. Em 2027, o Estádio Mané Garrincha será uma das sedes da Copa do Mundo Feminina da FIFA, recolocando a cidade no circuito global do futebol.

Por trás dessa projeção, há um processo contínuo de recuperação e modernização de equipamentos esportivos. No último ano, cerca de R$ 22 milhões foram destinados a obras e manutenções. Entre as intervenções estão a retomada dos jogos noturnos no Estádio Abadião, em Ceilândia, e a revitalização do Estádio Augustinho Lima, em Sobradinho.

Os Centros Olímpicos e Paralímpicos também sustentam essa engrenagem. As unidades, distribuídas pelo DF, atendem mais de 45 mil pessoas, com idades entre 4 e 90 anos, oferecendo acesso gratuito a modalidades como natação, atletismo, futsal e artes marciais. Uma nova estrutura está em construção no Paranoá.

No campo do alto rendimento, programas de incentivo ampliaram a presença de atletas locais em competições fora do DF. Em 2025, o Compete Brasília beneficiou mais de 5 mil esportistas, enquanto o Bolsa Atleta mantém suporte contínuo a competidores olímpicos e paralímpicos.

Esse ambiente cria efeitos que vão além dos grandes palcos. A trajetória da lutadora Selma Bernardes ajuda a traduzir esse impacto. Após décadas como professora da rede pública, ela encontrou no jiu-jitsu um novo caminho depois dos 40 anos. Com apoio institucional, passou a disputar torneios internacionais e acumulou títulos mundiais e europeus.

Hoje, Selma lidera um projeto social em Taguatinga, incentivando jovens como Bianca Alves, que já alcançou o topo do ranking nacional em sua categoria. Para Bianca, a chance de competir fora de Brasília foi decisiva para sua evolução técnica.

Experiências como essas mostram que a política esportiva não se limita à atração de eventos. Ao mesmo tempo em que projeta a capital no cenário internacional, cria condições para que o esporte funcione como ferramenta de inclusão, formação de talentos e transformação social.

Brasília, que por décadas foi conhecida apenas como o centro do poder, passou a ocupar também um lugar permanente no mapa esportivo.

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