Celina cobra União, evita detalhes sobre BRB e fala em falta de apoio

Banco enfrenta crise após operações sob investigação e atraso no balanço

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou, nesta quarta-feira (15), que o Governo do Distrito Federal já trabalha em alternativas para garantir a estabilidade do BRB (Banco de Brasília), em meio à crise enfrentada pela instituição. A chefe do Executivo também indicou falta de avanço nas tratativas com o governo federal para apoio ao banco.

Sem detalhar as negociações em curso, Celina disse que o GDF buscou diálogo com a União, mas não recebeu retorno concreto até o momento. Segundo ela, o DF apresentou propostas e tentou abrir caminho para uma solução conjunta. “O governo federal não deu nenhuma resposta sobre nenhuma ajuda. A gente levou alternativas e tentou construir esse diálogo”, afirmou.

A governadora relatou que o tema chegou a ser discutido diretamente com o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, no fim de março. Ainda assim, a avaliação dentro do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é a de que a situação deve ser resolvida pelo próprio Distrito Federal, controlador do BRB.

Apesar da cobrança, Celina evitou escalar o tom e reforçou a necessidade de uma relação institucional entre os entes. “Independentemente de posição política, quando o assunto é a nossa cidade, o diálogo precisa acontecer. Sempre estive aberta a isso”, disse.

O BRB enfrenta um momento delicado após a tentativa frustrada de compra do Banco Master e, principalmente, a aquisição de carteiras que passaram a ser alvo de investigação. Segundo apurações, o banco comprou cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos considerados fraudulentos, ligados à instituição de Daniel Vorcaro.

A crise ganhou maior dimensão após o BRB adiar a divulgação do balanço de 2025, descumprindo o prazo legal exigido para companhias de capital aberto. Sem os dados oficiais, o mercado ainda não tem clareza sobre o tamanho do impacto dessas operações nas contas do banco.

A desconfiança de investidores também aumentou diante das incertezas sobre a real situação financeira da instituição e das negociações em curso.

Em meio ao cenário, o Governo do Distrito Federal sancionou, em março, uma lei que autoriza a adoção de medidas de reforço financeiro, incluindo a possibilidade de contratar até R$ 6,6 bilhões em operações de crédito com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ou outras instituições.

Questionada sobre o pedido de apoio ao FGC e as tratativas com a gestora Quadra Capital, Celina preferiu não entrar em detalhes para evitar impactos no mercado. “Tudo está sendo tratado com responsabilidade. No momento certo, com o que estiver alinhado, vamos dar transparência”, afirmou.

A governadora também reforçou a confiança na instituição. “O BRB é um banco sólido, tem história e é fundamental para a economia da nossa cidade”, disse.

Nos bastidores, o banco já iniciou mudanças internas como parte do processo de reorganização. Na última semana, foram substituídos diretores ligados à gestão anterior, após análises independentes apontarem a necessidade de revisão em decisões estratégicas.

Durante evento com empresários em Brasília, o presidente do BRB buscou afastar dúvidas sobre o futuro da instituição e adotou um discurso de confiança. “Para quem acredita que o BRB pode quebrar, isso não vai acontecer. O banco vai sair desse processo mais forte e ainda mais sólido”, afirmou.

Ele acrescentou que a atual gestão tem focado em reforçar controles e aprimorar a governança. “Estamos revisando processos, fortalecendo mecanismos internos e elevando o nível de exigência nas decisões”, disse.

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