Cultura e inclusão ganham espaço nas escolas do Gama com projeto itinerante

Programação chega ao fim nesta quinta após atingir mais de mil estudantes da rede pública

Após percorrer escolas públicas do Gama ao longo de dois meses, o projeto Vivências da Música no Cognitivo (VMC) Escola Anticapacitista chega ao último ato nesta quinta-feira (16), com apresentação marcada na Escola Classe 18. A iniciativa leva para dentro das salas de aula uma proposta que mistura arte e debate social para provocar reflexões sobre inclusão e enfrentamento ao capacitismo.

Com uma abordagem que une música, intervenções circenses e arte urbana, o projeto transforma o ambiente escolar em espaço de experimentação e diálogo. A proposta é colocar estudantes em contato direto com produções conduzidas por artistas com deficiência, ampliando a percepção sobre a diversidade e estimulando novas formas de convivência.

A circulação, iniciada em março, passou por diferentes unidades de ensino da região administrativa e alcançou mais de mil alunos. Viabilizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF) e conduzido pelo produtor Wellington Negrão, o trabalho também resgata uma trajetória construída ao longo de duas décadas, iniciada por Sérgio Fonseca e atualizada com novas linguagens e vivências.

Entre os destaques está a presença da artista Ayla Serena, que incorpora à performance uma dimensão íntima ao transformar a experiência de perda familiar em expressão artística. A construção estética apresentada nos encontros busca não apenas sensibilizar o público, mas também reforçar a potência da arte como ferramenta de ressignificação.

Para o secretário interino de Cultura e Economia Criativa do DF, Fernando Modesto, o projeto exemplifica como políticas públicas culturais podem ultrapassar o campo do entretenimento e atuar diretamente na formação social. Na visão dele, ao dar visibilidade a artistas com deficiência e ocupar o espaço escolar, a iniciativa contribui para fortalecer valores como empatia, respeito e reconhecimento das diferenças, além de reafirmar a cultura como vetor de transformação.

As ações também incluem intervenções permanentes nas escolas. Durante as apresentações, a grafiteira surda Amanda, conhecida como “Santa Surda”, cria painéis ao vivo que permanecem como legado visual nas instituições. Em uma das etapas da circulação, na Escola Classe 10 do Gama, o projeto contou ainda com a participação do artista plástico Lucio Piantino, que tem síndrome de Down.

O encerramento reúne, além das apresentações principais, a participação especial do grupo Baião de 2, formado por alunos e professores da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais do Distrito Federal (Apae-DF), consolidando a proposta de integrar arte, educação e inclusão em uma mesma experiência.

Últimas