Pedalar durante horas pelas ruas do Distrito Federal faz parte da rotina de trabalhadores que dependem da bicicleta para realizar entregas. Além do trânsito, eles enfrentam problemas como falta de equipamentos de proteção, trechos sem conexão cicloviária e dificuldade para encontrar locais seguros onde deixar as bicicletas. Essa realidade entrou no centro das ações realizadas pela ONG Rodas da Paz durante a Semana do Dia Mundial Sem Carro.
Nesta quinta-feira (24), a organização programou a distribuição de equipamentos para entregadores que trabalham por aplicativos. Espelhos retrovisores, campainhas, luzes, fitas refletivas e kits para conserto de pneus estão entre os itens que serão entregues de acordo com a necessidade de cada ciclista.
Ítalo Santos Vieira, de 25 anos, trabalha com entregas há seis meses e passa entre sete e oito horas por dia pedalando. Mesmo já tendo sofrido quedas, relatou que ainda não conseguiu comprar todos os equipamentos de segurança por falta de recursos. Ele também apontou problemas na infraestrutura e na conexão entre as ciclovias.
Ivan Gabriel, de 31 anos, está há cinco meses na atividade. Para trabalhar no centro de Brasília, combina viagens de metrô com o uso da bicicleta. Capacete, cadeado e caixa térmica tiveram de ser comprados por conta própria. Durante as entregas, uma das dificuldades é encontrar um lugar seguro para deixar a bicicleta.
Os relatos fazem parte de uma discussão mais ampla promovida pela Rodas da Paz nesta semana. Sob o tema “Cidades Mais Humanas começam com escolhas diferentes”, a entidade defendeu a redução da dependência de veículos motorizados e melhores condições para deslocamentos de bicicleta, a pé e por transporte público.
A organização considera que estimular o uso da bicicleta, isoladamente, não é suficiente para alterar o cenário da mobilidade urbana. O coordenador-geral Raphael Barros Dorneles defendeu que políticas de incentivo aos meios ativos sejam acompanhadas de medidas para diminuir o uso dos automóveis. “Não basta somente estimular o uso da bicicleta. Tem que desestimular o uso do carro”, afirmou.
Entre as mudanças defendidas pela ONG estão ciclovias com mais segurança, iluminação, sinalização, arborização, conforto e conexão entre diferentes trechos. A entidade também defende a cobrança de estacionamento, maior fiscalização de infrações e prioridade para ciclistas e para o transporte coletivo.
A mobilização começou na segunda-feira (21), com o Desafio Intermodal de Brasília, iniciativa que comparou diferentes meios de transporte em um mesmo trajeto. Na terça-feira (22), dezenas de pessoas participaram da Bicicletada, que saiu da Universidade de Brasília (UnB) e percorreu cerca de 15 quilômetros pela Asa Norte.
A programação será encerrada no domingo (27), no Eixão do Lazer Sul, com o lançamento da Carta-Compromisso da Mobilidade Sustentável. Elaborado por organizações da sociedade civil, o documento será apresentado aos candidatos das eleições de 2026 com o objetivo de buscar compromissos relacionados à segurança, à inclusão e à sustentabilidade no trânsito.
No âmbito federal, o Ministério das Cidades informou que o Programa Avançar Cidades – Mobilidade Urbana recebeu R$ 4,7 bilhões em investimentos da União. A iniciativa contempla projetos de transporte público coletivo, modalidades não motorizadas e elaboração de planos de mobilidade.
