Após impasse fundiário, produtores do Pinheiral terão imóveis analisados pelo GDF

Medida assinada por Celina Leão abre processo de regularização para famílias da região

Uma reivindicação antiga de moradores do Pinheiral, em São Sebastião, começou a avançar nesta quinta-feira (11). A governadora Celina Leão assinou o decreto que altera a destinação da área e possibilita ao Governo do Distrito Federal iniciar o processo de análise para a regularização de propriedades ocupadas por produtores rurais da região.

A medida atinge uma área de 1.415 hectares e representa o primeiro passo para que mais de 400 famílias obtenham a documentação das terras onde vivem e trabalham. Na mesma cerimônia, a governadora também autorizou a publicação do primeiro edital de chamamento dos ocupantes, que deverão apresentar documentos para comprovar a ocupação e a utilização produtiva dos imóveis.

Segundo Celina Leão, a mudança foi necessária para remover uma barreira burocrática que impedia o avanço da regularização. “Existia uma norma que travava esse processo e precisou ser revista para que a situação pudesse avançar. Muitas dessas famílias passaram anos sendo vistas de forma equivocada, quando na verdade são pessoas que produzem alimentos e ajudam a abastecer o Distrito Federal. Estamos falando de moradores que construíram suas vidas aqui e aguardavam há muito tempo uma solução definitiva para a terra onde vivem”, afirmou.

A governadora ressaltou ainda que a iniciativa representa uma conquista para a comunidade local. “O governo precisou enfrentar uma série de etapas administrativas para chegar a este momento. Hoje conseguimos dar início a um processo que traz mais segurança para centenas de famílias que dependem da agricultura familiar para garantir renda e sustento”, acrescentou.

Com o decreto, a área deixa de seguir o modelo de assentamento rural criado em 2020 e retorna à gestão da Terracap. A mudança permite que o governo passe a avaliar a realidade atual da região, marcada pela presença consolidada de produtores, chácaras e pequenas propriedades rurais.

A ocupação do Pinheiral antecede a criação do assentamento previsto anos atrás. Muitas famílias vivem no local desde o início dos anos 2000. A partir de 2015, com a retirada dos pinheiros da antiga Proflora, novas áreas passaram a ser utilizadas para cultivo agrícola, criação de animais e moradia.

Para o secretário de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, Rafael Bueno, o processo reconhece uma situação que já existe na prática. “Quando as equipes estiveram na região, encontraram propriedades em funcionamento, pessoas produzindo e contribuindo para a economia rural. Em vários casos, também observamos iniciativas de preservação ambiental desenvolvidas pelos próprios moradores”, destacou.

A regularização é vista pelos produtores como uma oportunidade de ampliar investimentos e reduzir a insegurança sobre a permanência nas terras. Morador da região há mais de duas décadas, o agricultor Itan Primo Neto afirma que a ausência de documentação sempre dificultou o acesso a programas de apoio e financiamentos. “Em muitos momentos deixamos de conseguir benefícios ou incentivos porque não tínhamos como comprovar a situação da propriedade. Com a regularização, teremos mais tranquilidade para investir e melhorar aquilo que construímos ao longo dos anos”, relatou.

O processo também poderá facilitar o acesso a linhas de crédito rural, incluindo programas voltados ao fortalecimento da produção agrícola familiar.

Rafael Bueno destacou que a medida terá reflexos diretos na atividade econômica da região. “Estamos oferecendo condições para que essas famílias trabalhem com mais segurança, produzam mais e continuem contribuindo para o abastecimento alimentar do Distrito Federal. Isso gera renda no campo e melhora a qualidade de vida dos produtores”, afirmou.

Presidente de uma associação local, Antônio de Jesus acredita que a documentação mudará a realidade de muitos moradores. “Quando o produtor passa a ter um documento que reconhece sua área, ele ganha condições de buscar crédito, melhorar a estrutura da propriedade e planejar o futuro da família com mais confiança”, disse.

De acordo com o presidente da Empresa de Regularização de Terras Rurais (ETR), Thúlio Moraes, a assinatura do decreto não significa a regularização automática das áreas, mas permite que o processo finalmente saia do papel. “O Pinheiral enfrentava uma situação que impedia qualquer avanço. A partir de agora, conseguimos iniciar oficialmente as etapas necessárias para analisar cada imóvel e verificar quem atende aos critérios previstos na legislação”, explicou.

A primeira fase do chamamento contempla 64 imóveis. Os ocupantes convocados terão 30 dias para atualizar informações e entregar a documentação exigida. Ao todo, o processo será dividido em sete etapas, com análise individual de cada propriedade.

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