DF supera 35 mil cirurgias em sete meses e acelera atendimento na rede pública

Programa OperaDF registra alta de 49% nos procedimentos e beneficia pacientes que aguardavam por cirurgias eletivas

A espera por uma cirurgia que antes parecia distante se transformou em uma nova etapa para pacientes da rede pública do Distrito Federal. Com a ampliação da capacidade de atendimento, o programa OperaDF tem acelerado a realização de procedimentos eletivos e levado mais pessoas aos centros cirúrgicos.

Entre os beneficiados está a diarista Wilma Fabiano Leite, de 36 anos. Moradora do Itapoã, ela passou quase um ano convivendo com dores, formigamento e perda de sensibilidade na mão até descobrir que tinha síndrome do túnel do carpo, condição causada pela compressão de um nervo no punho.

O problema começou a comprometer o trabalho e as atividades do dia a dia. Após buscar atendimento na rede pública, Wilma passou por avaliação médica, realizou exames e foi encaminhada para o procedimento cirúrgico.

Ela relata que ficou surpresa com a agilidade do processo e com o acolhimento recebido durante o tratamento. “Depois que o cardiologista autorizou, tudo aconteceu muito rápido. Fui muito bem atendida, a equipe me deu segurança e agora estou esperando a recuperação para voltar à minha rotina e ao meu trabalho”, contou.

A expectativa por uma melhor qualidade de vida também faz parte da história do microempreendedor Leonardo Alexandre de Souza Silva, de 30 anos. Morador de Arapoanga, ele sofreu uma fratura no escafoide, osso localizado no punho, enquanto jogava futebol.

O primeiro atendimento ocorreu em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Depois, ele foi encaminhado ao Hospital Regional do Paranoá, onde realizou acompanhamento médico até a realização da cirurgia.

Para Leonardo, o atendimento oferecido pelo sistema público foi fundamental. “Gostei muito do atendimento e fui recebido por profissionais muito preparados. Eu não teria condições de pagar uma cirurgia desse tipo fora da rede pública. Agora quero seguir a recuperação para voltar às minhas atividades”, afirmou.

As histórias de Wilma e Leonardo representam o avanço do OperaDF, iniciativa da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) criada para ampliar a oferta de cirurgias eletivas e reduzir o tempo de espera por procedimentos.

Entre setembro de 2025 e março deste ano, o programa realizou mais de 35 mil cirurgias, resultado 49% superior ao registrado no mesmo período anterior, quando foram feitos cerca de 23,4 mil procedimentos.

O crescimento representa aproximadamente 11,6 mil cirurgias a mais. No mesmo intervalo, as cirurgias ambulatoriais passaram de 11,6 mil para 17,8 mil, enquanto os procedimentos com internação aumentaram de 11.866 para 17.264.

Ampliação da estrutura

O OperaDF atua com duas estratégias principais para ampliar a capacidade da rede: a contratação de serviços hospitalares privados para procedimentos de menor e média complexidade e o fortalecimento dos hospitais públicos, com expansão das agendas cirúrgicas e contratação de anestesiologistas.

O atendimento segue o fluxo da rede pública, com consultas, exames, avaliações médicas, preparação pré-operatória e acompanhamento após o procedimento. A indicação das cirurgias ocorre conforme critérios técnicos definidos pelo Complexo Regulador do Distrito Federal.

O secretário de Saúde, Juracy Lacerda, destacou que a iniciativa busca ampliar a quantidade de procedimentos e aprimorar a organização dos serviços. “O programa trouxe um avanço importante para a rede porque une aumento de produção com melhoria da qualidade. Estamos fortalecendo os centros cirúrgicos e criando condições para atender mais pacientes em menos tempo”, afirmou.

De acordo com a Secretaria de Saúde, o Distrito Federal alcançou, em 2025, o maior número de cirurgias realizadas na rede pública, ultrapassando a marca de 53 mil procedimentos.

O secretário também reforçou a importância de os pacientes manterem os contatos atualizados e acompanharem as convocações para evitar a perda de vagas. “Quando uma pessoa não comparece a um procedimento agendado, outro paciente que está aguardando deixa de ocupar aquele espaço”, explicou.

Novas especialidades ampliam atendimento

O programa passou a incluir novas áreas, como oftalmologia, ampliando a quantidade de procedimentos disponíveis. Até o início deste mês, cerca de 10,3 mil cirurgias haviam sido autorizadas pela rede contratada, com aproximadamente 3,8 mil já concluídas.

Entre os procedimentos com maior volume está a cirurgia de varizes bilateral, com 1.290 operações realizadas. Já a cirurgia de catarata por facoemulsificação lidera entre os contratos da área oftalmológica, com 5.415 procedimentos previstos e 643 concluídos.

Além dessas especialidades, o OperaDF contempla cirurgias como vasectomia, retirada da vesícula, tratamentos relacionados à tireoide, correção de hérnias, cirurgias de próstata e procedimentos para retirada de cálculos urinários.

Os dados fazem parte do balanço do programa, que compara os períodos de setembro de 2024 a março de 2025 e setembro de 2025 a março de 2026. As informações sobre os procedimentos contratados consideram a produção registrada até 1º de junho deste ano.

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