Programa no DF vai investigar presença de chumbo em alimentos e cosméticos

Iniciativa reúne governo, especialistas e organização internacional para fortalecer ações de vigilância e prevenção

O Distrito Federal iniciou tratativas para implantar um programa-piloto voltado ao combate à contaminação por chumbo. A iniciativa deverá ser desenvolvida ao longo dos próximos cinco anos por meio de uma parceria entre a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), o Ministério do Meio Ambiente e a organização internacional Pure Earth. A proposta é proteger a população e criar um modelo de atuação que possa ser replicado em outras regiões do país.

A primeira etapa da iniciativa ocorreu em dezembro de 2025, quando foi realizada uma ação experimental para coleta de amostras de alimentos e cosméticos que poderiam apresentar chumbo em suas composições. Os materiais passaram por análise laboratorial para identificar possíveis níveis de contaminação.

Na última segunda-feira (2), o Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF) recebeu um encontro técnico que marcou a apresentação da equipe responsável pelo projeto e o alinhamento das próximas etapas do trabalho.

A contaminação por chumbo pode ocorrer por diferentes vias, incluindo alimentos, água proveniente de encanamentos antigos, objetos como brinquedos, bijuterias, esmaltes e maquiagens, além de tintas antigas, solo e poeira contaminados. Quando há exposição elevada ao metal, pode surgir uma doença conhecida como plumbismo, que compromete sistemas importantes do organismo, como o neurológico, gastrointestinal e hematológico.

Os efeitos costumam ser mais graves em crianças, podendo provocar prejuízos ao desenvolvimento cerebral e atrasos cognitivos.

Segundo o chefe da Assessoria de Mobilização Institucional e Social para Prevenção de Endemias da SES-DF, Allex Moraes, o Distrito Federal já conta com mecanismos de prevenção relacionados ao tema. Ele explica que a Vigilância Sanitária realiza inspeções periódicas, além de haver capacidade laboratorial para análises e ações educativas voltadas à população.

Com a parceria internacional, a expectativa é ampliar as estratégias de monitoramento e prevenção. O trabalho deverá incluir a identificação de produtos que possam conter concentrações de chumbo, o aprimoramento de normas regulatórias, a integração entre diferentes instituições e o aperfeiçoamento dos protocolos de fiscalização.

O presidente da Pure Earth, Drew McCartor, ressaltou que diversos países já avançaram na redução da exposição ao metal, mas destacou que ainda é importante reduzir ao máximo qualquer risco de contato com a substância.

Durante a agenda no Lacen-DF, os participantes também visitaram as instalações do laboratório. A unidade é referência em diagnóstico, pesquisa e vigilância em saúde no Distrito Federal e atualmente realiza mais de 280 tipos de análises laboratoriais para atender às demandas da rede pública e de instituições parceiras.

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