O DF Folia 2026 transformou Brasília em um dos principais polos de Carnaval de rua do Centro-Oeste no último fim de semana. Entre sábado (14) e domingo (15), blocos reuniram centenas de milhares de foliões no Plano Piloto e em regiões administrativas, em uma programação marcada por diversidade, expressão cultural e ampliação do uso do espaço público.
Em meio à grande presença nas ruas, o evento apresentou um dado significativo: segundo o Governo do Distrito Federal, houve redução de 42% nas ocorrências registradas em comparação com o mesmo período do ano passado.
No sábado, o Bloco do Amor ocupou a área do Museu Nacional, dentro da estrutura do Carnaval Monumental. Com 11 anos de trajetória, o grupo voltou a atrair um público diverso, mantendo a proposta de um ambiente inclusivo.
A atriz Ana Flávia, 53 anos, acompanha o bloco desde os primeiros desfiles e destaca a sensação de segurança. “Venho todos os anos porque me sinto acolhida. É um espaço que promove respeito à comunidade LGBT+ e se preocupa com acessibilidade”, afirmou.
Para a coordenadora-geral Letícia Helena, a tranquilidade observada ao longo dos anos é resultado de uma construção coletiva. “A proposta sempre foi promover convivência e cuidado entre as pessoas”, disse.
No domingo, o Bloco das Montadas levou mais de 100 mil foliões às ruas, com fantasias, performances e apresentação da cantora Gretchen. O desfile se consolidou como um dos momentos de maior visibilidade da programação.
Participando pela primeira vez, a atendente Stefany Souza, 26 anos, ressaltou o ambiente. “Encontrei um público muito receptivo e não vi nenhuma situação de conflito”, contou.
Já a drag queen Leo Skiims, 25, presença frequente no bloco, define o espaço como um local de expressão. “É onde posso celebrar minha identidade com liberdade”, afirmou.
Ainda no domingo, cerca de 40 mil pessoas acompanharam o Bloco dos Raparigueiros no Gran Folia, enquanto o Baile da Piki reuniu aproximadamente sete mil foliões em Águas Claras, demonstrando a expansão da festa para além do centro da capital.
Para o organizador Matheus Maia, o evento também tem dimensão cultural. “O Carnaval é uma forma de ocupar a cidade e participar da construção da vida cultural”, explicou.
Promovido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa por meio de chamamento público, o DF Folia 2026 conta com investimento de R$ 10 milhões e parceria da Associação Artise de Arte, Cultura e Acessibilidade.
Para o secretário Claudio Abrantes, o resultado do fim de semana demonstra a capacidade de realizar grandes eventos com organização. “O DF Folia mostra que é possível promover festas populares valorizando a diversidade e estimulando a economia criativa com responsabilidade”, afirmou.
Com público expressivo, presença ampliada nas regiões administrativas e redução nas ocorrências, o DF Folia 2026 avança como um dos principais eventos culturais do calendário da capital.
