A governadora Celina Leão (PP), que disputa a reeleição no Distrito Federal, poderá rebater, no horário eleitoral gratuito, declarações divulgadas pela campanha de Leandro Grass (PT) sobre supostos repasses financeiros à chapa governista. O direito de resposta foi concedido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), após o entendimento de que a propaganda apresentou como comprovado o recebimento pessoal de dinheiro pela candidata e pelo vice, Gustavo Rocha (Republicanos), sem que os documentos do processo sustentassem essa afirmação.
A decisão foi assinada na quinta-feira (22) pelo juiz auxiliar Carlos Alberto Martins Filho. A determinação assegura à campanha de Celina um minuto no rádio e outro na televisão, dentro dos espaços eleitorais destinados à coligação de Grass.
Ao analisar o caso, o magistrado diferenciou a existência de possíveis relações com pessoas e empresas da afirmação de que os candidatos teriam recebido diretamente os valores citados. Segundo a decisão, os documentos examinados indicavam repasses a terceiros ou a pessoas jurídicas relacionadas aos envolvidos, mas não comprovavam o recebimento pessoal dos recursos por Celina e Gustavo.
O juiz classificou a informação veiculada como sabidamente inverídica. O entendimento, porém, não representa uma proibição geral a questionamentos sobre relações econômicas, profissionais ou familiares dos candidatos. A irregularidade reconhecida pela Justiça diz respeito especificamente à atribuição direta do recebimento dos valores aos integrantes da chapa.
A propaganda contestada utilizou declarações do ex-governador José Roberto Arruda (PSD), que justificou seu não apoio a Celina e Gustavo mencionando o banqueiro Daniel Vorcaro e as empresas Marechal, que atua no transporte coletivo, e Sustentare, ligada à coleta de lixo. Arruda também dirigiu críticas à CEB, ao BRB, à saúde pública e à administração do governo.
Após a decisão, a equipe da governadora preparou o conteúdo que será apresentado no espaço conquistado. A mensagem acusa o adversário petista de recorrer a ataques pessoais, em vez de concentrar a propaganda na discussão de propostas para a capital federal. “No lugar de apresentar propostas para que o eleitor conheça quem tem experiência e capacidade de fazer o DF avançar, o candidato do PT promoveu ataques pessoais contra a adversária”, diz o texto da campanha.
A equipe também pede que os eleitores não se deixem levar pelo que considera provocações e manipulações. A mensagem termina com Celina defendendo uma disputa “limpa e propositiva, sem ataques pessoais, manipulações de informações e uso de artifícios sabidamente proibidos pela Justiça Eleitoral”.
O processo eleitoral inclui ainda uma ressalva sobre a primeira versão da resposta apresentada pela defesa da governadora. O texto foi considerado inadequado porque, na avaliação do juiz, ultrapassava o objetivo de reparar a informação questionada ao trazer acusações contra Grass e expressões de exaltação à própria Celina.
A disputa chega à fase decisiva neste domingo (25), quando os eleitores do Distrito Federal escolherão o próximo governador. No primeiro turno, Celina ficou próxima de vencer a eleição sem necessidade de uma segunda votação, com 49,93% dos votos válidos. Grass terminou em segundo lugar, com 34,47%. Paula Belmonte (PSDB) obteve 8,51%, Kiko Caputo (Novo) teve 4,36% e Ricardo Cappelli (PSB) somou 2,23%.
