A rede pública de saúde do Distrito Federal intensificou, neste mês, as ações para ampliar a doação de leite humano e reforçar os estoques destinados a recém-nascidos internados em hospitais da capital. A mobilização ocorre em meio à necessidade contínua de abastecimento dos Bancos de Leite Humano, responsáveis por atender, principalmente, bebês prematuros e de baixo peso.
Com o tema “Doação de leite humano: solidariedade que nutre, vida que cresce”, a campanha de 2026 reúne iniciativas educativas e ações de conscientização em unidades de saúde do DF. A proposta é estimular a participação de mulheres lactantes e ampliar o número de doadoras ativas na rede pública.
Segundo a coordenadora das políticas de aleitamento materno da Secretaria de Saúde do DF (SES-DF), Maria das Graças Cruz, o leite humano tem papel decisivo na recuperação e no desenvolvimento dos recém-nascidos mais vulneráveis. “O leite doado ajuda a proteger os bebês contra infecções, fortalece o organismo e contribui diretamente para a recuperação das crianças internadas nas unidades neonatais. Muitos desses pacientes dependem desse alimento para evoluir de forma saudável”, explica.
A especialista ressalta, ainda, que o leite materno possui características que não podem ser reproduzidas artificialmente. “É um alimento completo, com componentes vivos e fatores de proteção importantes para o desenvolvimento do bebê. Além de nutrir, ele auxilia na imunidade e favorece a digestão dos recém-nascidos”, afirma.
Mais de 4 mil bebês atendidos
Dados da Rede de Bancos de Leite Humano do DF mostram que, entre janeiro e março deste ano, 4.089 recém-nascidos foram beneficiados pelas doações realizadas no Distrito Federal. Apenas em março, 1.439 bebês receberam o alimento.
No mesmo período, a rede contabilizou mais de 15 mil atendimentos e recolheu 1.713 litros de leite humano. Grande parte desse trabalho ocorre em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), que atua na coleta domiciliar junto às mães cadastradas.
Apesar do volume considerado expressivo, a Secretaria de Saúde avalia que os estoques ainda não atingiram o nível esperado. A redução nas doações, registrada durante o período de férias, segue impactando o abastecimento das unidades.
“A demanda permanece alta durante todo o ano e, em alguns momentos, supera a quantidade disponível nos bancos de leite. Por isso, é fundamental que novas mães se cadastrem e participem dessa corrente de solidariedade”, destaca Maria das Graças Cruz.
Cadastro pode ser feito por telefone e internet
Atualmente, o Distrito Federal conta com 14 Bancos de Leite Humano e sete Postos de Coleta distribuídos pela rede pública. Mulheres saudáveis que estejam amamentando e tenham produção excedente podem se tornar doadoras.
O cadastro pode ser realizado pelo telefone 160, na opção 4, além do portal Amamenta Brasília e do Portal do Cidadão. Depois da inscrição, as voluntárias recebem orientações sobre armazenamento correto e higiene durante a retirada do leite.
As equipes do Corpo de Bombeiros fazem a coleta diretamente na residência das doadoras. Após o recolhimento, o leite passa por análise, pasteurização e controle de qualidade antes de ser encaminhado aos hospitais.
Além do serviço de coleta, os bancos de leite também oferecem apoio às mães, com orientações sobre amamentação, manejo da lactação e acompanhamento especializado.
Ao longo das próximas semanas, unidades de saúde do DF promoverão rodas de conversa, atividades educativas e homenagens às mulheres que participam da rede de doação.
