Celina questiona liberação de suspeito de ataque e defende internação involuntária

Homem foi conduzido à delegacia após agressão contra jovem de 18 anos em Águas Claras

A liberação do homem apontado como responsável por ferir gravemente um jovem de 18 anos em Águas Claras provocou críticas da governadora Celina Leão (PP). Na quinta-feira (30), a chefe do Executivo local afirmou que o episódio reforça a necessidade de uma resposta diferente para pessoas em situação de surto que representem risco para si ou para terceiros.

O suspeito foi conduzido à delegacia após a agressão, mas deixou a unidade depois de assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). Para Celina, o desfecho evidencia uma dificuldade enfrentada pelo poder público em situações nas quais há risco de novos episódios de violência.

A governadora relacionou o caso à proposta de internação involuntária humanizada encaminhada por ela à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Segundo Celina, a medida enfrenta resistência por razões ideológicas, embora, na avaliação dela, trate de situações que exigem intervenção do Estado. “É preocupante ver discussões políticas e ideológicas se sobrepondo ao bem-estar da população do Distrito Federal. Enviei à Câmara Legislativa uma proposta justamente para tratar da internação involuntária de forma humanizada”, afirmou.

Ao defender a proposta, Celina citou o ataque ocorrido em Águas Claras. “O episódio registrado em Águas Claras mostra a gravidade desse problema. Um jovem teve o rosto desfigurado após ser atacado por uma pessoa em situação de rua”, disse.

O rapaz foi agredido na terça-feira (28), enquanto caminhava pela Rua 4 Norte, perto da Praça Ipê Amarelo. Um soco atingiu o lado direito do rosto e quebrou os óculos usados por ele. Os estilhaços provocaram cortes em diferentes pontos da face, e a vítima também sofreu uma fratura na região do olho.

O jovem recebeu atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Segundo a família, ele permanece com o rosto bastante machucado, e há preocupação com possíveis sequelas.

O homem apontado como autor da agressão foi contido por um sargento da Polícia Militar de Goiás (PMGO) que estava nas proximidades. De acordo com o registro da ocorrência, houve resistência à abordagem e luta corporal. Durante a imobilização, um disparo foi efetuado, sem atingir ninguém.

Após ser levado à delegacia, o suspeito assinou o TCO e foi liberado. É justamente esse desfecho que Celina contesta ao defender uma mudança na resposta dada a casos envolvendo pessoas em situação de surto. “Ele foi abordado pela polícia, encaminhado à delegacia e, depois do registro da ocorrência, acabou liberado. Estamos falando de uma pessoa que, naquele momento, apresentava sinais de surto”, declarou a governadora.

Celina argumentou que a internação involuntária deveria ser considerada quando houver ameaça à integridade da própria pessoa ou de terceiros. Segundo ela, o retorno imediato às ruas pode representar risco de novos episódios. “Quando uma situação como essa chega à delegacia, a legislação não oferece uma resposta suficiente e a pessoa acaba voltando às ruas. Com isso, permanece a possibilidade de que outras pessoas também sejam colocadas em risco”, afirmou.

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por outro lado, informou que a lavratura do TCO segue o procedimento previsto na legislação para infrações de menor potencial ofensivo. Nesses casos, após assumir o compromisso de comparecer à Justiça quando convocado, o autor não permanece detido.

O suspeito relatou aos policiais que havia se envolvido anteriormente em uma briga com seguranças de uma padaria e que a agressão ocorreu enquanto fugia.

O caso é apurado pela 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul), que investiga as circunstâncias do episódio e a responsabilidade do envolvido.

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