Sandro Avelar destaca salto do DF 360 e propõe modernização dos concursos policiais

Em entrevista ao Vozes da Comunidade, deputado falou sobre crimes digitais, integração de dados e tecnologia na segurança

Sandro Avelar levou ao Vozes da Comunidade, nesta sexta-feira (28), uma discussão sobre os próximos desafios da segurança pública. Durante a entrevista, o deputado distrital e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal defendeu mudanças nos concursos policiais, falou sobre o avanço dos crimes cibernéticos e apresentou os resultados da expansão do videomonitoramento na capital, que já reúne mais de 13 mil câmeras.

Na conversa com o jornalista Toni Duarte, Avelar avaliou que as forças de segurança precisam acompanhar uma criminalidade que mudou de perfil nos últimos anos. Para ele, o crescimento das fraudes digitais exige não apenas novas ferramentas de investigação, mas também profissionais com conhecimentos específicos para enfrentar esse tipo de crime.

O deputado afirmou que, enquanto crimes violentos letais e intencionais apresentam queda no país, golpes praticados pela internet e fraudes envolvendo o sistema bancário avançam. Além de mais frequentes, essas práticas estão cada vez mais sofisticadas.

Avelar chamou a atenção para o fato de que as vítimas já não se restringem a pessoas com pouca experiência no ambiente digital. Segundo ele, até usuários familiarizados com tecnologia podem ser enganados diante do nível de sofisticação alcançado pelos golpistas. “Os criminosos aperfeiçoaram a maneira de aplicar esses golpes. Hoje, até alguém acostumado com tecnologia pode acabar sendo vítima de uma fraude”, afirmou.

Diante desse cenário, o parlamentar defendeu uma revisão do modelo dos concursos das forças policiais. A ideia é permitir que as corporações selecionem profissionais que já tenham formação ou experiência em áreas estratégicas, principalmente no combate aos crimes cibernéticos.

A proposta, segundo Avelar, poderia começar pela Polícia Federal e avançar para as polícias civis do país. Ele argumentou que determinados cargos e funções exigem competências específicas e que os critérios adotados nos processos seletivos precisam considerar essas diferenças.

Nesse contexto, o deputado questionou o peso atribuído à capacidade física quando o profissional será destinado a uma atividade essencialmente técnica. “Pode ser que ele não seja o mais forte ou não tenha o melhor resultado na corrida e na barra, mas pode chegar à polícia sabendo exatamente como investigar uma fraude cibernética. É esse conhecimento que precisamos aproveitar”, disse.

Delegado da Polícia Federal, Avelar também afirmou que as instituições precisam rever a ideia de que toda especialização deve ocorrer somente após o ingresso na carreira. Ao lembrar sua trajetória, que inclui ainda a direção de penitenciária federal, ele ressaltou a experiência acumulada em diferentes áreas do sistema de segurança.

A tecnologia também esteve no centro de outro ponto da entrevista: a expansão do videomonitoramento no Distrito Federal. Avelar falou sobre a construção do projeto e a evolução da rede, que passou de aproximadamente 1,6 mil câmeras para mais de 13 mil equipamentos integrados.

O ex-secretário lembrou que a estruturação do sistema começou entre o fim de 2013 e o início de 2014, com a proposta de levar câmeras às regiões administrativas do DF. A última etapa da implantação chegou a Água Quente em 2024.

Avelar contou que os entraves enfrentados ao longo desse processo não ficaram restritos à compra, à licitação ou à instalação dos equipamentos. Segundo ele, uma das maiores dificuldades foi fazer com que as corporações passassem a compartilhar informações armazenadas em bancos de dados próprios. “Instalar câmera era uma parte do trabalho. O desafio maior estava em construir essa integração e superar a resistência que existia ao compartilhamento das informações”, explicou.

O parlamentar destacou a participação da Polícia Civil nesse processo. A integração dos dados, segundo ele, abriu caminho para ampliar o uso das imagens na atividade policial, inclusive por meio de ferramentas que auxiliam na identificação de pessoas e no cruzamento de informações com mandados de prisão.

A rede ganhou escala ainda maior com o lançamento do DF 360 e a incorporação de equipamentos que estavam fora da estrutura direta da Segurança Pública. Câmeras das secretarias de Saúde e Educação passaram a fazer parte do sistema.

Durante a entrevista, Avelar destacou a atuação de Celina Leão (PP) nesse processo e a decisão da governadora de integrar ao programa equipamentos de diferentes áreas do GDF.

O modelo também abriu espaço para a participação de comerciantes, condomínios e propriedades rurais. Câmeras particulares direcionadas para espaços públicos podem ser integradas ao sistema, desde que sejam respeitadas as regras de privacidade.

Segundo Avelar, foi justamente essa ampliação que permitiu multiplicar a quantidade de pontos disponíveis para o monitoramento. “Saímos de uma estrutura com cerca de 1,6 mil câmeras para mais de 13 mil porque passamos a reunir equipamentos públicos e também câmeras particulares que podem contribuir com a segurança”, afirmou.

Ao fazer um balanço do modelo durante o Vozes da Comunidade, Avelar avaliou que a combinação entre integração das corporações, tecnologia e compartilhamento de imagens pode elevar ainda mais o desempenho da segurança pública do DF. Segundo o deputado, a capital já ocupa o primeiro lugar no ranking nacional da área e tem condições de ampliar essa posição de referência.

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