O Centro Olímpico e Paralímpico de Santa Maria chega aos 14 anos, em 2026, consolidado como um dos principais espaços públicos de inclusão esportiva e desenvolvimento social do Distrito Federal. Ao longo desse período, o equipamento se tornou porta de entrada para milhares de moradores que encontraram no esporte não apenas uma atividade física, mas também novas perspectivas de vida.
Entre essas trajetórias está a de Eduardo Vasconcelos. Ele começou a frequentar o espaço ainda aos 8 anos, inicialmente motivado pela necessidade de reabilitação por meio da natação. Na época, a bocha paralímpica, modalidade que marcaria sua carreira, ainda não fazia parte da grade de atividades oferecidas no local. O primeiro contato com o esporte ocorreu de forma adaptada, construída com o apoio dos professores e muita experimentação.
“Tudo começou de maneira simples. Não havia estrutura específica, então fomos aprendendo com o que estava disponível. Foi nesse ambiente que comecei a desenvolver confiança e entender que o esporte poderia me levar além”, recorda.
Com o tempo, o que começou como prática de apoio à saúde evoluiu para uma trajetória de alto rendimento. Hoje, aos 22 anos, Eduardo integra a Seleção Brasileira de Jovens de bocha paralímpica e acumula títulos pan-americanos, além de vice-campeonatos mundiais nas disputas individual e por equipes. Diagnosticado com paralisia cerebral, ele encontrou na modalidade um meio de expressão, autonomia e crescimento.
A história dele reflete o alcance do trabalho desenvolvido no COP Santa Maria, que atualmente atende 4.788 beneficiários a partir dos 4 anos de idade. O público inclui crianças, jovens, idosos, pessoas com deficiência e moradores em situação de vulnerabilidade social. As atividades são realizadas nos turnos da manhã, da tarde e da noite, ampliando o acesso da comunidade.
O centro conta com estrutura composta por quadras poliesportivas, ginásio, piscina, pista de atletismo, salas destinadas às lutas e espaços voltados às práticas educativas e esportivas. A gestão é coordenada pela Secretaria de Esporte e Lazer do Distrito Federal, com o apoio do Instituto Idecace na condução pedagógica das atividades.
Segundo o secretário de Esporte e Lazer, Renato Junqueira, iniciativas como essa demonstram o papel do investimento público na promoção da inclusão. “O COP Santa Maria mostra como o acesso ao esporte pode gerar oportunidades e fortalecer o desenvolvimento humano. Cada trajetória construída aqui representa o alcance de uma política que busca ampliar possibilidades para a população”, afirma.
A programação do centro contempla diversas modalidades, como futebol, futsal, futevôlei, basquetebol, judô, karatê, taekwondo, jiu-jítsu, natação, ginástica localizada, hidroginástica, capoterapia, dança e atividades voltadas ao desenvolvimento motor. Há também ações específicas para o público do ensino especial, incluindo bocha, hidroginástica adaptada e estimulação global.
Para o presidente do Instituto Idecace, Wilson Cardoso, o aniversário simboliza mais do que a continuidade das atividades. “O centro representa um espaço onde o esporte se conecta à educação e à convivência. Celebrar 14 anos é reconhecer os impactos gerados na comunidade ao longo desse tempo”, observa.
Eduardo reforça que sua experiência está diretamente ligada ao ambiente encontrado no COP. “Foi ali que tive a oportunidade de aprender, evoluir e acreditar no meu potencial. O incentivo recebido ao longo dos anos fez diferença no caminho que segui”, relata.
A celebração do 14º aniversário será realizada no sábado (7), das 8h às 12h, no próprio Centro Olímpico e Paralímpico de Santa Maria, localizado na Quadra Central 3, Área Especial 4, em Santa Maria Norte. A programação será aberta à comunidade e contará com atividades recreativas, apresentações e ações voltadas às famílias atendidas pelo espaço.
